opinião

Falta apenas
um dia para o fim de A Escrava Isaura e já sinto um grande vazio no coração. É
engraçado como certos programas têm o poder de nos cativar e nos envolver, de
forma que passam a fazer parte de nossas vidas. Eles passam a funcionar para
nós como orientação, companhia e distração. Às vezes, servem para reunir a
família na sala para conversar; quando estamos sozinhos, nos fazem refletir
sobre nossos valores e comportamentos. De qualquer forma, é inegável que
algumas novelas e séries definitivamente se estabelecem no nosso cotidiano.
Quantas
vezes eu assisti a uma cena de Isaura e pensei em quanto eu deveria me esforçar
para ser como ela: uma pessoa mansa, amigável, cordial. Tantas outras vezes
senti raiva e, ao mesmo tempo, certa identidade com Rosa, o que me fez repensar
vários de meus comportamentos.
Muitos podem
pensar que estou sendo exagerada, que não passa de uma novela... Sim, é
verdade. Mas, como dissera Solange Maia: “Tenho
a alma esfomeada. Gosto de laços afetivos, de dias seguintes, daquela
intimidade conquistada com o tempo.”. E é
isso o que uma novela faz: nos conquista dia-a-dia, em um trabalho minucioso e
elaborado para nos envolver e nos entreter. Não são todos os autores que conseguem
tal proeza: alguns pelo roteiro, outros pela má atuação de seu elenco...
Se
eu vou chorar no último capítulo? Provavelmente sim. Não porque criei para mim
uma realidade ilusória do mundo “das telinhas”, e sim porque convivi e apreendi
muito com a trama: o amor não tem limites; é importante pensar antes de falar;
amar o nosso inimigo é a melhor forma de resposta; quem espera sempre alcança;
as ondas estão sempre a favor de quem sabe navegar...
Agora,
resta-me reler, dessa vez com outro olhar, o romance de Bernardo Guimarães e
aguardar as novas lições que dele eu posso tirar.