sábado, 23 de maio de 2015

opinião



Falta apenas um dia para o fim de A Escrava Isaura e já sinto um grande vazio no coração. É engraçado como certos programas têm o poder de nos cativar e nos envolver, de forma que passam a fazer parte de nossas vidas. Eles passam a funcionar para nós como orientação, companhia e distração. Às vezes, servem para reunir a família na sala para conversar; quando estamos sozinhos, nos fazem refletir sobre nossos valores e comportamentos. De qualquer forma, é inegável que algumas novelas e séries definitivamente se estabelecem no nosso cotidiano.

Quantas vezes eu assisti a uma cena de Isaura e pensei em quanto eu deveria me esforçar para ser como ela: uma pessoa mansa, amigável, cordial. Tantas outras vezes senti raiva e, ao mesmo tempo, certa identidade com Rosa, o que me fez repensar vários de meus comportamentos.
Muitos podem pensar que estou sendo exagerada, que não passa de uma novela... Sim, é verdade. Mas, como dissera Solange Maia: “Tenho a alma esfomeada. Gosto de laços afetivos, de dias seguintes, daquela intimidade conquistada com o tempo.”. E é isso o que uma novela faz: nos conquista dia-a-dia, em um trabalho minucioso e elaborado para nos envolver e nos entreter. Não são todos os autores que conseguem tal proeza: alguns pelo roteiro, outros pela má atuação de seu elenco...
Se eu vou chorar no último capítulo? Provavelmente sim. Não porque criei para mim uma realidade ilusória do mundo “das telinhas”, e sim porque convivi e apreendi muito com a trama: o amor não tem limites; é importante pensar antes de falar; amar o nosso inimigo é a melhor forma de resposta; quem espera sempre alcança; as ondas estão sempre a favor de quem sabe navegar...

Agora, resta-me reler, dessa vez com outro olhar, o romance de Bernardo Guimarães e aguardar as novas lições que dele eu posso tirar.

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